Doctor Who: “Deep Breathg” - 8x01, “Into The Dalek” – 8x02 [Review]
Cada nova regeneração do Doutor
vem acompanhada com duvidas e receios. Sentimento de estranheza e curiosidade,
como quando conhecemos alguém e não sabemos ao certo se é uma pessoa amigável ou
outra coisa.
Sentimento esse que é magistralmente traduzido em tela na primeira
hora desta nova temporada. Peter Capaldi chega oferecendo tons mais cinzentos
do personagem, algo nada surpreendente depois dos traumáticos eventos dos últimos
episódios.
‘Deep Breath’ e ‘Into The Dalek’ estabelecem
a nova temporada em um universo mais sombrio que o habitado pelas reencarnações
anteriores. Com um rosto mais velho, o Doutor definitivamente parece transmitir
o peso de uma vida cheia de culpas e medos, quando questiona, por exemplo, se é
um bom homem ou se continua o mesmo senhor do tempo após tantas regenerações. Naturalmente
temos momentos de humor na premiere, e algumas cenas chegam a evocar o espírito
excêntrico das versões de Matt Smith e David Tennant, mas são os diálogos pautados
por melancolia que ganham destaque nesta estréia.
Aqui há uma sensação de ruptura semelhante a que vimos na 5ª temporada. Iniciamos um novo capitulo na historia da
produção, e apesar da estranheza inicial, é interessante ver como Steve Moffat
trabalha bem essa transição: Escolhe rostos familiares e cria cenas e diálogos que
orientam e refletem os principais receios do publico. A estréia do oitavo ano
se encarrega de colocar todas as peças no seu devido lugar e é certamente a mais
solida introdução de uma encarnação desde o retorno da série.
E em ambos os episódio, é Clara
quem ganha destaque, orientando e motivando o Doutor em momentos em que ele
mesmo perde a esperança. Ela se sobressai aqui, e se evidencia como uma das companions
mais independentes desde Martha e Donna. Jenna funciona bem com Peter, estabelece
uma dinâmica sólida, e duvido muito que isso seja em decorrência da diferença
de idade. Clara esteve ao lado do Doutor em um dos seus momentos mais sombrios
e justamente por isso ela é a pessoa mais indicada para conduzi-lo neste
momento de incertezas.
Deep Breath é um episódio solido,
escorregando apenas em breves momentos de humor pastelão. Enquanto que Into The
Dalek se distingue bastante por ser ainda mais sombrio e denso. O segundo
episódio é interessante por apresentar novas nuances aos Deleks, vilões que há
muito deixaram de ser tão ameaçadores, mas como era de se esperar, um tanto
quanto instável em relação a estréia. A cena de Missy, por exemplo, pareceu
deslocada demais, enquanto a introdução de Danny Pink foi apressada e pouco
interessante.
Livre do peso de suas ações na Guerra do tempo, o
Doutor promete ser bem distinto de suas encarnações anteriores, misterioso e imprevisível,
Peter é genial e competente como todos esperávamos. E muito embora tenhamos
poucos detalhes, é incrível ver como Missy conseguiu cativar com tão pouco
tempo em tela. É bem provável que, como aconteceu na trama do silencio nas ultimas
temporadas, tenhamos um desenvolvimento lento deste aspecto da narrativa,
duvido muito que tenhamos mais detalhes sobre quem é Missy antes do arco final
da temporada (11º e 12º episódios).
Doctor Who inicia sua nova fase
de forma interessante. Explorando mais explicitamente temas adultos, o roteiro
da série continua inventivo e excêntrico como sempre. Apesar de problemas
pontuais, como o desenvolvimento dos vilões. Moffat consegue criar bons
momentos de tensão, mas nada tão excepcional como visto em episódios como ‘Blink’
e ‘Midnight’. Mas nos fim os acertos se sobressaem aos erros e Doctor Who se
reinventa de forma interessante, e a julgar por este início, as perspectivas
para a temporada são promissoras.

